Sonda Livre

Sua ponte para a liberdade digital

  • Quem sou Eu

Quer aprender?

Postado por hrcerqueira em 7 de fevereiro de 2013
Publicado em: GNU/Linux. Marcado: Aprendizado, GNU, Linux, Máquina Virtual, Software Livre. Deixe um comentário

Caríssimos(as) Leitores(as),

Neste artigo quero falar sobre aprendizado. Você gosta de aprender? Porque se não gosta não tem muito futuro no software livre. Calma, não se assuste, você não precisa ser nenhum expert para manipular um sistema operacional. Se precisasse, você sequer estaria acessando meu blog. Mas é claro que quando não aprende sobre um sistema, sempre fica limitado e tem que recorrer a quem se deu ao trabalho de aprender.

Eu mesmo comecei a gostar do sistema operacional GNU/Linux quando precisei estudá-lo, porque assim fui compreendendo seu funcionamento e até mesmo sua filosofia. É uma filosofia de organização, robustez e lógica. Agora, se não tivesse aprendido sobre esse sistema, não daria a mínima pra ele, pois como é possível gostar de algo que você não conhece?

Pois bem, para quem quer começar a estudar ou se aprofundar no assunto, eu recomendo o “Guia Foca Linux” (www.guiafoca.org), que é bem completo. E também recomendo o hábito de acessar fóruns de discussão sobre o assunto, pois é lá que se tem apoio quando surgem as dúvidas. Diga-se de passagem, o site “Viva o Linux” (www.vivaolinux.com.br) é uma excelente fonte de apoio.

Naturalmente, além de ler os tutoriais é importante usar o sistema para ver na prática como ele funciona. Em meu artigo “Conhecendo o Sistema” apresentei algumas técnicas para testar o sistema em seu computador. Eu particularmente gosto mais da técnica da máquina virtual, não é difícil e pode-se conhecer muito bem o sistema.

O principal problema no aprendizado do GNU/Linux (e de qualquer outro aprendizado) é a preguiça. Todos querem tudo rápido, fácil e de graça, não é uma combinação fácil de se fazer. Ainda assim, o sistema operacional GNU/Linux não é algo difícil de se aprender, mas é preciso um pouco de boa vontade. Em poucos dias pode-se aprender muito sobre o sistema, o suficiente para utilizá-lo, pelo menos.

Também não há limites de idade para esse aprendizado. Nunca se é jovem ou velho demais para aprender. Tendo vontade já é possível, e quem achar que é preciso fazer algum curso está muito enganado. Os tutoriais e fóruns online já são mais do que suficientes. Andar com os próprios pés é muito mais satisfatório do que sempre depender de alguém para resolver seus problemas. Esse é o espírito do software livre!

Liberdade Levada a Sério

Postado por hrcerqueira em 12 de janeiro de 2013
Publicado em: GNU/Linux. Marcado: Especificações, GNU, Liberdade, Licença, Linux, Software Livre, Transparência. Deixe um comentário

Caríssimos(as) Leitores(as),

O assunto que quero trazer à tona aqui é o porquê da importância da liberdade no software. Muitas pessoas migram para o software livre por curiosidade ou simplesmente porque gostaram mais, mas se esquecem de que o principal motivo da existência do software livre é a própria liberdade que ele oferece, e que os sistemas de código proprietário não oferecem.

A maioria dos usuários de computadores são movidos pela comodidade e pela conveniência, o que é perfeitamente normal. Tão normal que aqueles que aderem ao software livre (que nem sempre é mais cômodo ou conveniente) muitas vezes são vistos como excêntricos, porém essa excentricidade é altamente benéfica. Veja os empreendedores, por exemplo: podem utilizar software livre em seus projetos sem para isto ter de notificar os responsáveis ou distribuidores do software e depender de sua autorização. Pois no software livre é assim: você usa, estuda, modifica e redistribui, com ou sem modificações e não deve nada a ninguém.

É claro que até mesmo o software livre tem sua licença e existem regras a serem respeitadas. Por exemplo, se você modifica um software e o redistribui modificado, deve informar quem é o autor do software original e as modificações que você implementou, até porque se houver qualquer problema decorrente das modificações, a reputação do(s) desenvolvedor(es) do software original deve ser preservada.

A diferença entre o software livre e o software proprietário é que enquanto o software livre parte do princípio de que a liberdade de todos os envolvidos deve ser garantida, o software de código proprietário sempre impõe restrições ao usuário, privando-o de suas liberdades fundamentais, no que diz respeito a software. Dou ênfase à questão da liberdade, porque qualquer usuário que migre para o software livre sem levar em consideração os benefícios da liberdade, pode a qualquer momento voltar a usar software proprietário e assim perder a sua liberdade.

Levando em consideração os usuários finais, o problema que considero mais grave no software proprietário é o fato de não se poder estudar seu código. Obviamente não espero que todos os usuários finais estudem o código antes de usar o software, mas o problema em questão é que se ninguém pode estudar o código, então ele pode fazer qualquer coisa sem o consentimento do usuário final, já que não haverá ninguém que possa questionar esse comportamento no software. O software proprietário poderá violar a privacidade do usuário e se resguarda de qualquer acusação, visto que não é permitido estudar seu código (o que daria margem à comprovação deste comportamento invasivo).

Veja que para outros produtos diferentes do software, existem leis claras quanto à divulgação das especificações do produto. Por exemplo, um suco ou um biscoito para que possam ser vendidos devem fornecer informações sobre sua composição, afinal serão ingeridos e o consumidor tem o direito de saber o que está comendo. Um carro também deve fornecer suas especificações. São produtos que serão consumidos/utilizados, e não seriam aceitos se não houvesse qualquer especificação clara quanto ao que são. Perceba que só no caso do software, não existe tanto essa cobrança por especificações. O software também é um produto que será “consumido”, se podemos dizer assim.

O principal entrave para a liberdade, é que quando levantamos questões como “Certo e Errado”, muitas pessoas tapam seus ouvidos, por saber que estão fazendo algo de errado. Negar ao usuário o direito a especificações do produto que consome é uma violação gravíssima da liberdade. Ainda assim é uma prática muito comum.

Note que estou falando de software livre e não software de código aberto. Existe uma diferença não necessariamente no que são, mas no que representam. Para mais informações sobre essa questão, recomendo um artigo publicado por Richard Stallman: Por que o Código Aberto não compartilha dos objetivos do Software Livre (http://www.gnu.org/philosophy/open-source-misses-the-point.pt-br.html).

Acredito que o usuário deve ter total liberdade no uso de software. Liberdade até mesmo para perder sua liberdade, mas deverá sempre estar ciente de quanta liberdade ele tem ou deixa de ter.

Um Sistema Amigável

Postado por hrcerqueira em 18 de agosto de 2012
Publicado em: GNU/Linux. Marcado: Gnome, GNU, GUI, Interface Gráfica, KDE, Linux, LXDE, Software Livre, XFCE. Deixe um comentário

Caríssimos(as) Leitores(as),

Começo o artigo com a seguinte pergunta: pode o GNU/Linux ser um sistema amigável? E não faço questão nenhuma de respondê-la, mas sim fornecer meios para que formulem suas próprias respostas.

É perfeitamente normal que um leigo no assunto logo se preocupe com a interface de linha de comando. Afinal de contas, nesta interface não é possível reproduzir vídeos ou músicas, visualizar imagens, rodar a maioria dos jogos, abrir planilhas ou apresentações, entre muitos outros recursos comuns no dia-a-dia da maior parte dos usuários de computador. E devo dizer que é muito importante que um usuário tenha medo de mexer com o que não conhece, pois é em usar a interface de linha de comando sem o devido conhecimento que a maior parte dos usuários se prejudica.

Por mais útil e importante que seja a interface de linha de comando, ela é um recurso adequado somente para usuários mais experientes, que a conhecem bem. Para usuários novatos existe não apenas uma, mas várias interfaces gráficas diferentes. Cabe a você escolher qual interface utilizar. Apenas para garantir que não haverá confusões, devo esclarecer que quando digo interface gráfica, me refiro ao conjunto de janelas, ícones, ponteiro do mouse, menus interativos, etc. Essas interfaces facilitam o uso do sistema, deixando-o intuitivo para o usuário final.

Para melhor entender o que é uma interface gráfica, vejamos a imagem abaixo:

Representação da interface gráfica

O kernel Linux (núcleo do sistema) gerencia todos os recursos da máquina, deixando o computador em pleno funcionamento. A camada do meio (Shell) interpreta os comandos utilizados, logo ele representa a interação do usuário com o sistema. A camada mais externa (Graphical User Interface, ou seja, a interface gráfica) nada mais é que um artifício criado para facilitar o uso dos comandos. Em outras palavras, os cliques e a abertura ou o fechamento de janelas são comandos executados de forma transparente. Assim o usuário não percebe, mas está executando comandos do Shell.

Os novatos podem não saber, mas é possível não apenas escolher qual interface gráfica utilizar mas também instalar mais de uma e alternar entre uma e outra. Ainda assim, para quem está começando o ideal é escolher apenas uma. Cada distribuição do GNU/Linux tem sua interface gráfica padrão, que é instalada junto com o sistema, logo a escolha da interface gráfica geralmente tem forte influência na escolha da distro a ser usada.

Existem muitas interfaces para GNU/Linux, mas duas delas merecem um destaque especial: GNOME e KDE. Essas são interfaces bem antigas e evoluíram bastante com o tempo. Naturalmente elas adquiriram muitos recursos e com isso foram ficando mais exigentes com o hardware em suas últimas versões, o que abriu espaço para outras interfaces mais leves, como XFCE e LXDE, que também são amplamente utilizadas. Dentre todos os critérios possíveis para a escolha de uma interface gráfica o que considero mais importante é se o usuário se sente à vontade no uso do sistema ou não. Não adianta oferecer uma infinidade de recursos se o usuário não gosta da interface ou não consegue usá-la.

A forma mais plena de se conhecer uma interface é usando, portanto faço a sugestão aos que quiserem e puderem, de que experimentem essas interfaces, usando distros diferentes, de preferência, como já expliquei em artigos anteriores. Ainda assim, ver imagens ou vídeos referentes a essas interfaces gráficas já dá uma boa noção de como elas são. Também sugiro que visite os sites referentes a essas interfaces (os links estão disponíveis nos menus laterais).

Além das interfaces existentes, novas interfaces podem surgir, cada uma com seu diferencial. E todas elas poderão mudar e se adaptar às necessidades dos usuários, principalmente por se tratar de software livre. As possibilidades de interface são infinitas.

Portanto, encerrando o artigo de hoje, refaço a pergunta: pode o GNU/Linux ser um sistema amigável? Pesquise, observe, teste e tire suas conclusões.

Aspectos Sociais

Postado por hrcerqueira em 5 de agosto de 2012
Publicado em: GNU/Linux. Marcado: distros, GNU, Linux, Software Livre. Deixe um comentário

Caríssimos(as) Leitores(as),

Pretendo com esse artigo dar um pouco mais de destaque aos aspectos sociais do sistema. Gosto do sistema GNU/Linux não apenas por suas vantagens técnicas, que são muitas, mas também por tudo aquilo que este sistema representa. O GNU/Linux quebra o paradigma de que você só poderá desfrutar daquilo pelo qual pagou e mostra a força que tem uma comunidade trabalhando em equipe, ainda mais sendo essa uma comunidade internacional. Além disso, o GNU/Linux reflete a importância da transparência com o usuário.

Sabemos que a maior parte da evolução do sistema GNU/Linux deve-se ao apoio mútuo entre seus usuários, por meio de blogs, fórums e outras formas de interação. E essa evolução não teria sido possível se seu código-fonte estivesse aprisionado nas mãos de poucos. Daí vem a importância do software livre: ele não apenas oferece ao usuário a chance de entender como funciona, mas também permite uma evolução mais rápida.

Nos artigos anteriores falei sobre distribuições, e expliquei sobre algumas diferenças entre elas, mas é muito importante lembrar que a partir do momento em que um sistema é livre, ele é altamente adaptável. Dessa forma, qualquer distro pode ser modificada para ficar como o usuário deseja, e tudo aquilo que é desenvolvido para uma distro pode muito bem ser adaptado para outras distros.

Podemos perceber que o software livre é bastante democrático, pois qualquer um de seus usuários pode estudar seu código-fonte e evoluí-lo conforme suas necessidades, caso tenha interesse e o conhecimento necessário para isso. Caso não tenha nenhum dos dois, ainda assim poderá desfrutar do software sem se preocupar com licenças e receber apoio da comunidade. E o mais interessante é que gradualmente mais pessoas começam a usar o sistema GNU/Linux em seu computador pessoal, embora esse ainda seja um processo lento.

Existe uma série de preconceitos em relação ao sistema GNU/Linux. Muitos não usam porque acham que ele é difícil de usar, outros porque acham que se não for pago não é de qualidade. Há também aqueles que acham que é um sistema voltado apenas para trabalho. Há ainda os que têm pavor da famosa interface de linha de comando. Devo dizer que embora essa seja uma interface bastante útil, ela não precisa e nem deve ser utilizada por usuários leigos, porque usá-la inadvertidamente pode causar problemas no sistema. Além dos preconceitos, outro fator que limita o número de usuários do sistema GNU/Linux é o processo de migração de um sistema operacional para outro. Poucos estão dispostos a mudar de sistema operacional pois teriam que conhecer o novo sistema, quando já detêm algum domínio sobre o sistema utilizado.

Ainda assim, o número de usuários é crescente, talvez pelo fato de que mais e mais pessoas estão percebendo o número de mitos criados em torno do software livre, enquanto outros estão tomando conhecimento da existência do software livre. Outro fator que pode estar contribuindo para o crescimento no número de usuários é a preocupação com licenciamento de software proprietário. Era e ainda é comum observar pessoas utilizando software proprietário sem respeitar sua licença, o que é qualificado como pirataria. Embora a maioria desses usuários dê pouca importância a essa questão, muitos estão se tornando conscientes das implicações que têm a violação dos direitos autorais de software. Dessa forma, o software livre mostra-se também uma alternativa à pirataria.

O que é mais difícil por enquanto é ver pessoas que não são da área de TI tomarem coragem para migrar para o sistema GNU/Linux. Por isso acho importante que aqueles que detêm conhecimento sobre o sistema apoiem os que estão dando seus primeiros passos, principalmente para que percebam, que assim como podem aprender a utilizar outros sistemas podem também aprender a utilizar o GNU/Linux.

Conhecendo o Sistema

Postado por hrcerqueira em 23 de junho de 2012
Publicado em: GNU/Linux. Marcado: distros, Dual Boot, GNU, Linux, Live CD, Máquina Virtual, Software Livre. Deixe um comentário

Caríssimos(as) Leitores(as),

Hoje vou apresentar algumas técnicas para experimentar a distro escolhida. Usuários mais experientes certamente já conhecem essas técnicas, mas espero que por meio deste artigo, os novatos estejam também capacitados para testar sua distro favorita. Infelizmente não poderei fazer um passo-a-passo para cada técnica, pois com isso o artigo seria muito grande, mas para nossa alegria chovem tutoriais na internet referentes ao assunto. Dessa forma, vou apenas descrever as técnicas para que você saiba por onde começar.

Máquina Virtual

Primeiramente vamos entender o que é uma máquina virtual (ou VM, como é popularmente chamada). Trata-se de uma tecnologia que permite ter “um computador dentro de outro computador”. Dessa forma podemos entender a máquina virtual como um computador diferente do computador em que ele está hospedado. Quando você cria uma máquina virtual, existem algumas configurações que devem ser especificadas, como a quantidade de memória que ela terá, quanto espaço em disco, quantos e quais dispositivos de rede terá, etc. Dependendo da ferramenta utilizada para isto, essa configuração pode ser mais fácil ou mais difícil. Algumas ferramentas, por exemplo, sinalizam que determinadas configurações não são ideais, enquanto outras exigem mais atenção.

Embora uma máquina virtual seja diferente da máquina física, ela compartilha os mesmos recursos da máquina em que está hospedada, portanto se você tem, por exemplo uma máquina física com 6 GB de memória RAM e reserva 2 GB para a máquina virtual, estes 2 GB estarão indisponíveis para a máquina física enquanto a máquina virtual estiver ligada, restando apenas 4GB para a máquina física. Da mesma forma, a capacidade de processamento também será dividida entre a máquina física e a máquina virtual. Além disso, a máquina virtual utilizará um arquivo como seu HD. A quantidade de espaço ocupada por esse arquivo será a mesma quantidade de espaço ocupada na máquina virtual.

A ferramenta que utilizo e recomendo para virtualização é o VirtualBox. Ela é uma ferramenta da Oracle e é software livre. A Oracle dispõe alguns recursos adicionais de código proprietário para o VirtualBox, entretanto eles não serão necessários para que você experimente a sua distro. Para instalar o sistema numa máquina virtual, você também precisará da imagem deste sistema (arquivo de extensão .iso), que certamente encontrará no site da distro em questão.

Live CD

Caso você queira testar uma distro utilizando todo o potencial da sua máquina, pode recorrer aos Live CDs. Live CDs são imagens de sistemas operacionais salvas em CD. Para utilizar essas imagens você deve configurar seu computador para ser iniciado por meio do CD e não do HD (configuração que será feita acessando-se a BIOS do computador). O uso de Live CDs é bastante útil quando você quer saber como uma distro se comportará em seu computador.

Se você tem interesse em utilizar um Live CD, deverá baixar a imagem da distro (arquivo de extensão .iso) e gravá-la em um CD (ou DVD, dependendo do tamanho da imagem). A maior parte das distros oferece em seus sites as imagens para download.

Dual Boot

Essa técnica nada mais é que instalar a distro no seu HD, porém utilizando uma partição específica para a instalação, ou seja, em vez de substituir o sistema operacional atual do seu computador pelo novo sistema, você estará mantendo os dois sistemas e poderá escolher qual utilizar no momento de inicialização do computador. Dessa forma, basta criar uma nova partição em seu computador para fazer a instalação da distro.

Preparado(a) para o teste? Descubra qual distro você quer usar e aproveite!

Distros Populares

Postado por hrcerqueira em 3 de junho de 2012
Publicado em: GNU/Linux. Marcado: CentOS, Debian, distros, Fedora, Gentoo, GNU, Linux, Mandriva, OpenSUSE, Red Hat, Slackware, Software Livre, Ubuntu. Deixe um comentário

Caríssimos(as) Leitores(as),

Nosso assunto hoje serão as distros mais populares utilizadas ao redor do mundo. Quero esclarecer que não digo populares no sentido de uso doméstico, mas sim no sentido de serem amplamente conhecidas e utilizadas.

Debian: O Debian é fruto de uma iniciativa 100% comunitária. Trata-se da distribuição com maior grupo colaborativo, independente de qualquer empresa. O Debian tem um repositório bastante abrangente, que é utilizado para todas as distros que utilizam o gerenciamento de pacotes Debian. Novas versões só são efetivamente lançadas quando estão prontas, o que pode levar cerca de dois anos ou mais. Embora isso sacrifique dramaticamente a inovação do sistema, as versões lançadas são as mais estáveis. O Debian trabalha com três tipos de versão: a estável, a de teste e a instável. O Debian é amplamente utilizado em servidores, mas pode se adaptar facilmente ao uso doméstico porque é relativamente simples de usar.

OpenSUSE: A princípio, somente SUSE Linux, desenvolvido por uma empresa alemã. A empresa Novell comprou essa distro e resolveu dividí-la em dois segmentos: uso geral e empresarial. Para uso geral a distro foi aberta sob o nome openSUSE, e para uso empresarial foram criados o SUSE Linux Enterprise Desktop e SUSE Linux Enterprise Server. Pode-se considerar o OpenSUSE uma distro que testa novidades para que então sejam implementadas nas versões empresariais. Embora isso tenha impacto na estabilidade da distro, ela sempre apresenta novas tecnologias ao usuário. O OpenSUSE gerencia pacotes RPM e conta com um utilitário que facilita muito esse processo, o YaST. O lançamento de novas versões acontece pelo menos uma vez por ano, e o desenvolvimento da distro conta com o apoio de uma comunidade.

Fedora: O Fedora foi criado pela empresa norte-americana Red Hat. O projeto é aberto à comunidade, mas tem o apoio e o know-how da equipe da Red Hat, o que é muito positivo para a distro e para seus usuários. É um projeto que objetiva disponibilizar a todos um sistema operacional para variados fins, utilizando somente software livre. Isso significa que os drivers utilizados são todos livres, assim como todos os aplicativos instalados. Isso é feito para que as pessoas possam redistribuir a distro sem ter qualquer problema com licenças posteriormente. O Fedora é voltado para usuários que querem um sistema fácil de usar, prático e ainda assim bastante seguro. Assim como o Red Hat, também faz o gerenciamento de pacotes RPM. O Fedora é ideal para estações de trabalho e também muito bom para uso doméstico.

Red Hat: Uma distro desenvolvida pela empresa norte-americana Red Hat. A princípio era uma distro para propósitos gerais, mas em 2002 a empresa começou a enfatizar o meio empresarial, mudando o nome da distro para Red Hat Enterprise Linux e iniciando o projeto Fedora. Dessa forma o Fedora ocuparia o lugar do antigo Red Hat, e o novo Red Hat Enterprise Linux poderia ser desenvolvido sob medida para empresas. A Red Hat desenvolve sistemas tanto para servidores como para estações de trabalho. Naturalmente, o gerenciamento de pacotes é realizado pelo Red-Hat Package Management (RPM). Não existe uma periodicidade específica para o lançamento de novas versões.

Slackware: A distro Slackware objetiva equilibrar estabilidade e simplicidade. Em virtude da estabilidade buscada, muito das possíveis inovações são sacrificadas, o que acaba garantindo um sistema com comportamento livre de anomalias. A simplicidade por sua vez, não quer dizer facilidade de uso, mas sim facilidade de manutenção, para quem já detém o conhecimento necessário para isso. Essa distro é muito boa para quem pretende desenvolver e testar software, justamente por essa estabilidade e pelas ferramentas disponíveis para programação. Além disso o Slackware é altamente customizável, porém essa customização exige bastante conhecimento técnico do usuário. Em resumo, o Slackware é mais adequado para usuários mais avançados.

Gentoo: A distro mais adaptável de todas (senão uma das), porque oferece um alto nível de customização, por meio da tecnologia Portage. Trata-se de um gerenciamento de pacotes que realiza instalações sob medida para sua máquina. Isto garante melhor desempenho e estabilidade nas aplicações. O Gentoo é adequado para usuários mais experientes, pois exige conhecimento técnico para melhor aproveitamento do sistema.

CentOS: Trata-se de uma distro voltada para empresas, especialmente quando não é necessário adquirir suporte ou treinamento. É derivado do Red Hat Enterprise Linux e portanto compatível com as mesmas aplicações. O CentOS é suportado por uma comunidade de desenvolvedores e usuários e é altamente estável.

—

Ubuntu: Sem dúvida uma distro muito popular por sua simplicidade e facilidade de uso. Essa distro é derivada do Debian, portanto também utiliza o gerenciamento de pacotes Debian. Duas vezes por ano são lançadas novas versões do Ubuntu. Boa parte da distro é desenvolvida pela empresa Canonical. ATENÇÃO: Já não mais recomendo a distro Ubuntu, porque agora já não é exatamente um software livre. Hoje o Ubuntu não pode ser usado para fins comerciais, o que é uma violação da liberdade do usuário. Pior que isso, a Canonical implementou um sistema abusivo nos mecanismos de busca, nos quais informações pessoais do usuário são enviadas a servidores da Canonical enquanto ele pesquisa seus próprios arquivos. E com isso envia propagandas para o usuário com base nessas informações, para fazer compras na Amazon. Isso sem mencionar que a distro Ubuntu promove o uso de software não livre. Enquanto esses problemas não forem solucionados eu desaconselho fortemente o uso dessa distro.

Como você deve ter observado, existem distros para variados fins e para cada fim existem várias distros. Cabe a você escolher aquela que acha mais adequada para seu propósito. Além destas que apresentei, existem infinitas outras, e muitas delas estão ganhando espaço e reconhecimento assim como essas que apresentei. Caso tenha dificuldade para escolher sua distro, recomendo um serviço muito bom, o Linux Distribution Chooser (acesse o link http://www.zegeniestudios.net/ldc/), que ajuda a fazer essa escolha. No próximo artigo vou falar um pouco sobre como experimentar as distros.

Escolha sua Distro

Postado por hrcerqueira em 6 de maio de 2012
Publicado em: GNU/Linux. Marcado: distros, Estabilidade, Gerenciamento de Pacotes, GNU, Linux, Repositórios, Software Livre. Deixe um comentário

Caríssimos(as) Leitores(as),

Vamos falar sobre distros. O sistema operacional GNU/Linux é famoso por ter diversas distribuições diferentes ou, como os mais aficionados chamam, distros. Uma distro é basicamente composta pelo kernel do sistema (Linux) e os demais aplicativos, que são selecionados de acordo com a distro em questão. Além disso, há personalizações e configurações que mudam também de distro para distro.

Em geral, distros são criadas para atender necessidades específicas. É comum usuários GNU/Linux criarem novas distribuições com base em outras já existentes, basta ter conhecimento em programação. Ainda assim, existem distros que são utilizadas para variados fins, e diga-se de passagem, estas são as mais utilizadas.

É fato que muitos usuários do sistema GNU/Linux gostam de utilizar várias distros (um computador pessoal, um de trabalho e um servidor, por exemplo). Mas existem também aqueles usuários que preferem ter apenas uma distribuição, mesmo que em mais de uma máquina. A escolha da distro utilizada tem grande influência na experiência que o usuário terá no uso deste sistema operacional. Existem alguns critérios que diferenciam as distros umas das outras, como:

Estabilidade: Refere-se ao quanto cada versão foi testada para garantia de estabilidade do sistema. Quando o número de testes realizados é maior, espera-se menor índice de anomalias no comportamento do sistema. Entretanto, testes demandam tempo, portanto, para que uma versão possa ser lançada com maior estabilidade ela deve demorar mais para ficar pronta.

Número de atualizações: Trata-se da freqüência com que a distro recebe atualizações de pacotes e também à periodicidade de lançamento de novas versões. Quanto menos tempo leva para o lançamento de novas versões, mais novidades serão apresentadas ao usuário, entretanto o risco de instabilidades é maior, pois um rápido lançamento significa menos tempo para fazer testes. Em geral, as distros que lançam versões com mais freqüência tratam as instabilidades lançando pacotes para correções.

Consumo de recursos do hardware: É preciso saber o quanto o sistema exigirá do hardware, pois o uso de distros mais exigentes em máquinas menos potentes resultará em lentidão no sistema. Para isto, basta ficar atento às especificações de cada versão de cada distro antes de fazer a instalação. Toda versão deve informar os requisitos mínimos para instalação.

Suporte pelos fabricantes de hardware: Cada vez mais fabricantes de ítens de hardware estão atentos aos usuários do GNU/Linux e estão oferecendo suporte a este sistema operacional, entretanto nem todas as distros recebem o devido suporte. Como conseqüência, é preciso ficar atento ao suporte oferecido, de acordo com o hardware disponível. Esta preocupação é menor com distros mais populares, mas ainda assim é bom ter certeza de que o hardware suporta a distro.

Gerenciamento de pacotes: Refere-se à forma como os pacotes de instalação e/ou atualização são gerenciados no sistema. Existem três formas principais de se gerenciar pacotes. Uma delas é pelos pacotes debian (.deb), que é utilizada pela distro Debian e seus derivados. Outra é pelos pacotes Red-Hat Package Manager (.rpm), que é utilizada pela distro Red Hat e seus derivados. A terceira, mais abrangente, é pela própria compilação do aplicativo, por meio de seu tarball (um arquivo de extensão .tar.gz ou .tar.bz). Esta última forma pode ser utilizada para qualquer distro. Num artigo posterior falarei mais sobre essas formas de gerenciamento de pacotes.

Abrangência da comunidade: Trata-se do número de usuários que participam ativamente na comunidade da distro em questão. Isto é importante, porque quando se fala em suporte para GNU/Linux, fala-se em interação com outros usuários. Em geral, no GNU/Linux, tiram-se muitas dúvidas por meio de forums e blogs, ou seja, quanto maior a comunidade, maior a chance de obter ajuda para as mais variadas situações.

Abrangência dos repositórios: Trata-se da quantidade de repositórios existentes para a distro e de quantos aplicativos esses repositórios armazenam. Quanto maior a abrangência dos repositórios, maior a chance de se conseguir aplicativos para o sistema, com mais facilidade.

Abrangência idiomática: Você se importaria em usar uma distro que não oferece suporte a seu idioma? Talvez não, mas muita gente não gosta de distros que não trabalhem com seu idioma. Além disso, é preciso que seu teclado seja reconhecido, pois existem diferentes padrões de teclado de acordo com a região dele. Caso isso não seja observado, você pode ter problemas para identificação de alguns dígitos, como barra, til, acentos, parênteses, etc. Além do idioma da distro em si, também é importante saber se existe suporte no seu idioma, ou seja, se a comunidade que usa determinada distro inclui pessoas que falem seu idioma. As distros mais populares incluem usuários por todo o mundo.

Aplicativos instalados: Toda distro inclui um conjunto de aplicativos que podem ser instalados. Estes aplicativos atendem as mais variadas necessidades, como edição de textos, visualização de imagens, reprodução de músicas ou vídeos, entre outras. Naturalmente, você não é obrigado a utilizar sempre os aplicativos padrão. Pode instalar outros depois e até remover os aplicativos já instalados, entretanto, para poupar este trabalho, você pode buscar uma distro que já esteja mais próxima do seu perfil. Existem distros que são mais específicas para determinada necessidade, portanto incluirão aplicativos que atendam essa necessidade. Existe uma distro chamada Musix, por exemplo, que contém uma série de aplicativos voltados para músicos.

É de grande importância que você busque saber sobre a distro que quer utilizar. Antes de tentar fazer a instalação, busque saber mais, veja quais aplicativos ela inclui, como gerencia pacotes, se o hardware do seu computador suportará, se há um suporte satisfatório, etc. Visite a página referente à distro que quer instalar para saber mais. O site Distro Watch (www.distrowatch.com) também oferece detalhes sobre as mais variadas distros existentes. No próximo artigo vou falar um pouco sobre as distros mais populares.

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